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발목 잡다 — a expressão que segura você e não deixa dar nem um passo

발목 잡다 (balmok japda) quer dizer segurar por trás uma pessoa ou um projeto que está tentando seguir em frente, de modo que não consiga avançar. Você quer trocar de emprego, mas o financiamento que falta pagar pesa; quer fazer intercâmbio, mas ainda resta um ano de contrato; a seleção de futebol vinha muito bem e desaba por causa de um único erro no fim do segundo tempo — os coreanos apontam para esse “detalhe” e dizem “발목을 잡는다”. Se olharmos só as letras, é a cena de alguém agarrando o tornozelo de outra pessoa com a mão; na prática, porém, nenhuma mão aparece. Quem segura, quase sempre, não é gente: é dinheiro, tempo, saúde, passado.

A imagem que essa expressão desenha é bem concreta. O motivo de ser justamente o 발목 (balmok), o tornozelo, e não o ombro ou o pulso, é simples: para fazer alguém parar de caminhar, é o pé que precisa ser preso. Ou seja, a ênfase não está em “eu bloqueei”, e sim em “eu ia, mas fiquei sem poder ir”. Por isso não se usa com quem ainda não tem plano nenhum. Só tem tornozelo a ser agarrado quem já está pronto para correr — ou quem já estava correndo.

Os contextos de uso são basicamente dois. O primeiro: um obstáculo concreto que atravanca um plano em andamento. 비가 이사 일정 발목을 잡네. (Biga isa iljeong balmogeul jamne.) O segundo: algo do passado ou um ponto fraco que fica perseguindo a pessoa e a colocando em apuros. 10년 전 일이 아직도 발목을 잡아. (Sip-nyeon jeon iri ajikdo balmogeul jaba.) Nesse segundo uso, o ressentimento e a resignação ficam bem mais carregados.

Gramaticalmente, ativa e passiva formam um par. Quando quem segura vira sujeito, temos 발목을 잡다 (balmogeul japda); quando quem é segurado vira sujeito, temos 발목이 잡히다 (balmogi japhida) ou 발목을 잡히다 (balmogeul japhida). Na conversa do dia a dia, é mais comum falar sem a partícula, tudo grudadinho: 발목 잡다, 발목 잡혔어. O tom não é o de uma tragédia séria, e sim o daquele incômodo de “ah, de novo por causa disso”.

Vendo em uma conversa real

Situação: manhã de domingo, no morro do bairro. Os dois estão sentados numa pedra no meio da subida, recuperando o fôlego.

Jun-kyung: 하… 나 이번엔 진짜 회사 옮기려고 했거든. 근데 또 못 했어. Ai… dessa vez eu ia mesmo mudar de empresa. Mas de novo não deu.

Emily: 왜? 면접까지 봤다며. Por quê? Você disse que tinha até feito a entrevista.

Jun-kyung: 전세 대출. 그게 자꾸 발목을 잡네. O financiamento do jeonse. Aquilo vive me segurando.

Emily: 아… 회사 옮기면 이자 조건이 바뀌는구나. Ah… então as condições dos juros mudam se você trocar de emprego.

Jun-kyung: 응. 마흔 다 돼서 돈 때문에 발목 잡힐 줄은 몰랔어. É. Nunca imaginei que perto dos quarenta seria o dinheiro a me prender.

Emily: 야, 1년만 버티면 되잖아. 나도 예전에 비자 때문에 3년 발목 잡혔었어. Ei, é só aguentar mais um ano. Eu também já fiquei três anos presa por causa do visto.

Assim fica estranho

✗ (na frente do chefe) 부장님이 자꾸 저희 팀 발목을 잡으시는 것 같습니다. ✓ (ao chefe) 결재가 늦어지면서 일정이 밀리고 있습니다. 순서를 조금 조정해 주실 수 있을까요? → Essa expressão aponta o interlocutor como “obstáculo”. Se você coloca uma pessoa como sujeito e fala isso na cara dela, não soa como metáfora suave, e sim como acusação frontal. Com superiores, troque a pessoa pela situação no lugar do sujeito.

✗ (no dia em que um colega perdeu o prazo por descuido, tentando consolar) 야, 너 때문에 팀 전체가 발목 잡혔잖아. ✓ (na mesma situação) 이번엔 일정이 우리 발목을 잡았네. 다음엔 여유 있게 잡자. → No instante em que uma pessoa vira o agente que segura, o consolo se transforma em dedo apontado. Essa expressão funciona da forma mais gentil possível quando o sujeito é uma coisa ou uma circunstância.

Exemplos por situação

Situação 1 — quando um amigo que há anos se prepara para abrir um café conta que adiou de novo neste ano

올해도 보증금이 발목을 잡았어. (Olhaedo bojeunggeum-i balmogeul jabatseo.) O valor do depósito me segurou de novo este ano.

A nuance é: o plano já estava todo pronto, a decisão já estava tomada, e só por causa daquele último problema — dinheiro — a pessoa travou na linha de largada. Carrega uma sensação de “que pena, que injustiça” bem mais forte do que um simples “não deu porque eu não tinha dinheiro”.

Situação 2 — ao contar o caso de um colega mais novo cuja postagem antiga em rede social virou problema na entrevista

십 년 전에 올린 글이 결국 발목을 잡더라. (Sip nyeon jeone ollin geuri gyeolguk balmogeul japdeora.) Um post de dez anos atrás acabou voltando para cobrar a conta.

Este é o segundo uso, aquele em que o passado vem como sujeito. A imagem é a de algo que a pessoa achava totalmente superado vindo por trás e agarrando o tornozelo — por isso, aqui, nenhuma outra palavra substitui bem essa expressão.

Situação 3 — em transmissões de futebol ou no noticiário esportivo

후반 막판 실수 하나가 팀의 발목을 잡았습니다. (Huban makpan silsu hanaga tim-ui balmogeul jabatseumnida.) Um erro no finalzinho do segundo tempo segurou o time.

Este exemplo mostra que a expressão combina bem até com a linguagem formal. É uma expressão idiomática, mas não é gíria, então sai tal e qual da boca de um âncora de telejornal.

Formal, informal e expressões parecidas

Basta mudar a terminação para usá-la em qualquer contexto. No informal, 발목 잡혔어 (balmok japhyeosseo), 발목을 잡네 (balmogeul jamne); no polido, 발목을 잡았어요 (balmogeul jabasseoyo); no formal, 발목을 잡았습니다 (balmogeul jabatseumnida). O ponto de atenção não é o grau de formalidade, e sim “quem você coloca como sujeito”.

ExpressãoTom · intensidadeOnde se usa
발목(을) 잡다intensidade média, com um quê de sufococonversa do dia a dia, jornal, transmissão esportiva. Com pessoa como sujeito, vira acusação
발목(이) 잡히다mais para resignação e lamentoé o mais natural quando você desabafa sobre a própria situação
걸림돌이 되다 (geollimdori doeda)neutro e secocontextos formais como relatórios e reuniões. Quase sem carga emocional
앞길을 막다 (apgireul makda)forte e pesadofala-se da vida inteira de alguém. Ressentimento intenso
방해하다 (banghaehada)neutro, mas diretocabe em qualquer lugar. Só que vem com a ideia de “fez de propósito”

A diferença em relação a 방해하다 é especialmente importante. Atrapalhar carrega a intenção de quem atrapalha, mas as coisas que agarram nosso tornozelo geralmente não têm intenção nenhuma. Nem o financiamento, nem o visto, nem a lesão estão ali para maltratar ninguém. Por isso essa expressão tem menos raiva e mais suspiro.

Pano de fundo cultural — a fala de quem precisa seguir em frente

Não é preciso investigar longamente a origem dessa expressão idiomática, porque a própria imagem já é a explicação. Basta a cena de alguém agarrando por trás o tornozelo de quem tenta escapar, e o sentido chega inteiro. O que vale a pena pensar é por que essa imagem é convocada com tanta frequência justamente em coreano.

As histórias da sociedade coreana costumam ter o formato de “seguir em frente”. Entrar na faculdade, arrumar emprego, se estabelecer, conseguir a casa própria, subir um degrau de cada vez — essa sequência está desenhada com bastante nitidez na cabeça das pessoas. Sobre um quadro em que todo mundo caminha para a frente, parar já é, por si só, um acontecimento. Então não há como não se desenvolverem palavras para explicar essa parada — e 발목 잡다 é, entre elas, a mais fácil de pegar com a mão.

Essa expressão é usada quase como fórmula pronta no noticiário e nas transmissões esportivas. A lesão segura o tornozelo do atleta, o câmbio segura o tornozelo das exportações, a regulamentação segura o tornozelo da indústria. Em matérias políticas, ela chega a se cristalizar como substantivo: 발목 잡기 (balmok japgi). Significa segurar o campo adversário para que ele não consiga trabalhar e, diferentemente dos exemplos anteriores, aqui a acusação de “de propósito” vem com toda a força. É a mesma expressão idiomática, mas, no instante em que vira substantivo, a temperatura sobe.

Nos doramas, o segundo uso — o do passado que prende a pessoa — é bem mais popular. Um personagem bem-sucedido que começa a ruir por causa de algo enterrado há muito tempo; alguém que tenta recomeçar e esbarra com a testemunha de um episódio antigo — nesses momentos, os personagens falam muito sobre aquilo que agarra o próprio tornozelo. Se você estiver assistindo a um dorama coreano sem legenda e ouvir essa expressão, geralmente é o sinal de que o passado daquele personagem está entrando em cena vindo de fora do quadro.

Para quem estuda a língua, há mais um motivo para essa expressão ser útil. O coreano tem uma quantidade impressionante de expressões idiomáticas que desenham situações usando partes do corpo. Como 손이 크다, 눈이 높다, 코가 납작해지다, 간이 크다, o 발목 잡다 pertence a essa mesma família. Depois que você aprende uma delas, as outras passam a se abrir do mesmo jeito. Se lembrar para que serve cada parte do corpo, metade do sentido já aparece. O pé é o lugar do ir; se o pé é preso, não se vai. É só isso.

Quiz de hoje

Qual das frases abaixo usa 발목을 잡다 da forma mais natural?

  1. 오늘 처음 만난 사이인데 벌써 발목을 잡았어요.
  2. 이번 프로젝트는 예산 문제가 계속 발목을 잡네요.
  3. 밥이 너무 맛있어서 발목을 잡았습니다.
  4. (ao chefe) 부장님이 저희 팀 발목을 잡고 계십니다.

Resposta: a 2

Uma circunstância — o orçamento — vem como sujeito, e um projeto em andamento para por causa dela: é exatamente onde essa expressão se apoia com mais naturalidade. Na 1, não havia nada em andamento, então não existe tornozelo para ser preso; a 3 escorrega porque essa expressão não se usa para coisas boas. A 4 tem gramática impecável, mas equivale a apontar um superior como obstáculo na frente dele — melhor não usar.

Se hoje houver ao menos uma coisa segurando os seus planos, experimente dizer assim: 요즘엔 이게 제 발목을 잡네요. (Yojeumen ige je balmogeul jamneyo.)

As definições, os exemplos e o diálogo deste texto são todos criações próprias.

Tradução própria: o dicionário oficial não oferece português, portanto as traduções para o português são nossas.