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등짝 스매싱 — o som da palma da mão da mãe voando na sua direção

등짝 스매싱

등짝 스매싱 (deungjjak seumaesing) é o jeito engraçado de chamar aquela palmada seca que os pais — a mãe, principalmente — dão nas costas do filho pego em flagrante. Em dramas e programas de variedades coreanos, sempre que surge um “짝!” bem estalado e o filho aparece segurando as costas e gritando “아야!”, é quase certo que essa expressão vá aparecer na legenda. Não é palavra de dicionário: é um neologismo do dia a dia que se firmou na internet e na TV a partir dos anos 2010.

As situações em que ela aparece são quase sempre as mesmas. Quando você fica beliscando um por um os 전 (jeon, panquequinhas fritas) ao lado da mãe que está fritando tudo para o feriado. Quando a porta do quarto se abre e você está jogando videogame às três da manhã. Quando um filho já adulto coloca roupa branca e roupa colorida juntas na máquina de lavar. Ou seja, não é uma falta grave, é uma falta óbvia — daquelas em que você sabia que ia levar bronca, mas a mão foi mais rápida.

Sobre a nuance, basta guardar três coisas. Primeira: a direção é fixa. Quem bate é quase sempre o pai ou a mãe (em geral a mãe), e quem leva é o filho. Não se usa para um filho batendo nas costas dos pais. Segunda: não é uma fala de dor, é uma fala para fazer rir. Normalmente é a própria pessoa que levou a palmada que conta no dia seguinte, rindo: “나 어제 등짝 스매싱 당했잖아 (na eojeo deungjjak seumaesing danghaetjana)”. Terceira: nunca, jamais se usa para violência real. O que está por baixo da expressão não é dor, e sim aquele carinho meio resignado de quem pensa “lá vai ele de novo”.

Vendo em uma conversa real

Situação: última noite do feriado de Chuseok. Jun-kyung, que acabou de voltar da casa dos pais, está sentado sob o guarda-sol em frente à loja de conveniência do bairro, massageando as costas.

Jun-kyung: 아우, 등이 아직도 얼얼하네. Ai, minhas costas ainda estão ardendo.

Emily: 왜? 짐 옮기다가 어디 부딪혔어? Por quê? Bateu em alguma coisa carregando as malas?

Jun-kyung: 아니, 엄마한테 등짝 스매싱 당했지. 전 부치는 옆에서 계속 집어 먹다가. Não, levei uma palmada nas costas da minha mãe. Fiquei beliscando os jeon enquanto ela fritava.

Emily: 아, 진짜? 어머님 손 매운 거 알면서 왜 그래. Ah, é mesmo? Você sabe que a mão dela é pesada, por que faz isso?

Jun-kyung: 손이 먼저 나가는 걸 어떡해. 소리만 컸어, 사실 안 아파. A mão vai sozinha, fazer o quê. Foi só barulho — na verdade não doeu.

Emily: 그거 아프라고 때리는 거 아니잖아. 나도 예전에 하숙집 아주머니한테 한 번 맞아 봤어. 라면 국물 흘렸다고 등짝 스매싱. Também não é para doer, né. Eu já levei uma vez, da dona da pensão onde eu morava, por ter derramado caldo de ramyeon.

Assim fica estranho

✗ (o chefe para o novato que errou) 김 대리, 이럴 땐 등짝 스매싱 한 대 맞아야지? ✓ (para um amigo de longa data) 야, 너 그러다 어머니한테 등짝 스매싱 당한다. → É uma expressão que desenha uma cena afetuosa entre família ou entre pessoas que se conhecem há muitíssimo tempo. Transplantada para uma relação de hierarquia no trabalho, ela deixa de ser piada e passa a insinuar contato físico — o desconforto é imediato.

✗ (em uma reportagem) 피해자는 가해자에게 등짝 스매싱을 당한 것으로 알려졌습니다. ✓ 피해자는 가해자에게 폭행을 당한 것으로 알려졌습니다. → Como é um neologismo com riso embutido, usá-lo em casos de violência ou maus-tratos reais banaliza o assunto. É o mau uso a que os coreanos reagem com mais sensibilidade.

Exemplos por situação

Situação 1 — segunda-feira de manhã, contando o fim de semana no trabalho

주말에 집 청소 안 하고 누워만 있었더니 엄마한테 등짝 스매싱 맞았어요. (jumare jip cheongso an hago nuwoman itdeoni eommahante deungjjak seumaesing majasseoyo.) Passei o fim de semana deitado sem limpar a casa e levei uma palmada nas costas da minha mãe.

É a forma mais comum: um filho já adulto contando a um colega que levou bronca dos pais. Mesmo colocando uma terminação formal como “맞았어요”, a expressão em si continua igual. O clima da expressão é de linguagem informal, mas a frase pode perfeitamente ser construída no registro formal.

Situação 2 — entre irmãos, para avisar de antemão

그거 엄마 아끼는 그릇이야. 깨면 너 등짝 스매싱 각이야. (geugeo eomma akkineun geureusiya. kkaemyeon neo deungjjak seumaesing gagiya.) Essa é a louça favorita da mamãe. Se quebrar, você já era: palmada nas costas na certa.

“~ 각이다 (~ gagida)” é uma expressão atual que significa “a coisa vai dar nisso”, “é questão de tempo”. Usa-se assim, colada ao final, para anunciar algo que ainda não aconteceu.

Situação 3 — quando é quem bateu que fala (raro)

애가 하도 게임만 하길래 등짝 스매싱 한 번 날렸다. (aega hado geimman hagille deungjjak seumaesing han beon nallyeotda.) O menino não fazia nada além de jogar, então mandei uma palmada nas costas.

É o caso da geração dos pais fazendo piada de si mesma. Aqui o natural é combinar com “날리다 (nallida, mandar/disparar)”. “날리다” aparece muito mais do que “때리다”.

Registro formal, informal e expressões parecidas

ExpressãoTom / intensidadeOnde se usa
등짝 스매싱Exagero com riso, intensidade fracaEntre pares, na família, nas redes sociais. Diante de pessoas mais velhas, só para falar de si mesmo
등짝을 맞다Descrição neutraEm qualquer lugar. Sem cara de neologismo
꿀밤 (kkulbam)Leve e fofoUm cascudo de leve na cabeça. Usa-se até entre namorados e amigos
사랑의 매 (sarangui mae)Sério e um pouco antiquadoExpressão que justifica o castigo. Hoje costuma ser citada de forma crítica

Ao passar para o registro formal, a expressão em si não se altera: como em 등짝 스매싱을 당했습니다 (deungjjak seumaesingeul danghaetseumnida), sobe-se apenas o verbo que vem depois. Vale saber, ainda assim, que trazer essa expressão para um ambiente formal já é, por si só, uma escolha descontraída.

Contexto cultural — a palmada em que o som vem primeiro

A formação da palavra, quando se abre, é bem simples. 등짝 (deungjjak) é um jeito rústico e meio bruto de dizer “등” (costas). Com o sufixo “-짝”, o alvo fica levemente ridículo. E o 스매싱 que vem colado ali é exatamente o smash do badminton ou do tênis de mesa: aquela bolada cravada de cima para baixo. É difícil apontar quem juntou os dois pela primeira vez, mas o motivo de ser justamente o smash é claro: o som é alto, o ângulo desce de cima para baixo e não há aviso. É a piada de pegar a jogada mais catártica dos esportes de raquete e colá-la na palma da mão da mãe.

Os programas de variedades sobre família e as sitcoms coreanas tiveram um papel grande na popularização da expressão. O filho faz uma bobagem, a mãe se aproxima em silêncio, a imagem entra em câmera lenta e o efeito sonoro estoura: “짝!”. É uma cena que se explica sem uma única fala — basta subir essas seis sílabas na legenda e está pronto. Assistindo a dramas coreanos com legenda, às vezes a expressão aparece só na legenda, sem estar na fala original: prova de que a própria cena se tornou uma espécie de expressão idiomática.

A temperatura dessa expressão, no entanto, segue esfriando aos poucos. Assim como o olhar da sociedade sobre o castigo físico mudou e “사랑의 매”, antes usado sem qualquer constrangimento, hoje virou uma expressão delicada, 등짝 스매싱 também só está seguro no lugar da “lembrança fofa de infância”. Se alguém embalar nessa expressão uma história de ter batido de verdade em uma criança, os coreanos de hoje não riem. Para quem está aprendendo, o mais seguro é restringir o uso a uma pessoa já adulta contando o próprio passado em tom de piada.

Quiz de hoje

Em qual das situações abaixo dá para usar 등짝 스매싱 com naturalidade?

  1. O chefe ri e bate nas costas do funcionário novato que errou na reunião
  2. Um universitário que foi pego pela mãe cozinhando ramyeon escondido em época de provas conta o episódio a um amigo no dia seguinte
  3. Um noticiário descrevendo a gravidade dos ferimentos da vítima de uma agressão
  4. Alguém cumprimentando pela primeira vez os pais de um amigo

Resposta: 2. Essa expressão é mais natural quando ① acontece entre pais e filhos, ② diante de uma falta óbvia e pequena, e ③ é a própria pessoa que levou a palmada que conta a história rindo. A 1 envolve hierarquia no trabalho, então deixa de ser piada e passa a ser um problema de contato físico; a 3 banaliza uma violência real; e a 4 é um primeiro cumprimento formal, situação em que um neologismo simplesmente não cabe.


As definições e exemplos provêm do Dicionário Básico de Coreano do Instituto Nacional da Língua Coreana (krdict.korean.go.kr); essa parte, incluindo nossas traduções, é distribuída sob a licença CC BY-SA 2.0 KR.

Tradução própria: o dicionário oficial não oferece português, portanto as traduções para o português são nossas.