얼마예요? — a expressão que funciona onde não há placa de preço
Depois de pegar a bagagem no Aeroporto de Incheon e chegar à cidade, o primeiro momento em que o viajante fica sem palavras costuma ser sempre parecido: no caixa da conveniência, no banco de trás do táxi, diante da banca do mercado. Você já apontou para o produto com o dedo, mas a frase seguinte não sai. Nessa hora, basta saber uma única expressão para a situação andar sozinha.
Em grandes supermercados ou cafeterias de rede, essa frase nem é necessária — todos os preços já estão etiquetados. Mas as cenas que ficam na memória de uma viagem à Coreia costumam acontecer justamente onde não há placa de preço: na banca de bindaetteok do Mercado Gwangjang, nas lojas de tecido de Dongdaemun, nos cestos de ervas dos mercados de rua do interior. Nesses lugares, essa expressão deixa de ser apenas uma pergunta sobre o valor e passa a ser a frase que abre a conversa.
얼마예요?
얼마예요? (eolmayeyo?) — em português, é “Quanto custa?”
‘얼마’ é a palavra que substitui o lugar de um valor, quantidade ou grau desconhecido. A ela se junta a forma conjugada no estilo haeyo do verbo ‘이다’ (ser/estar), formando 얼마예요 (eolmayeyo). Graças à característica do coreano de dispensar o sujeito da frase, basta apontar o objeto com os olhos e dizer essas quatro sílabas para a frase estar completa.
Há uma pegadinha na escrita. O som se aproxima de [얼마에요], mas a grafia correta é 얼마예요. Isso porque, depois de uma palavra sem batchim (consoante final), usa-se ‘-예요’. Como até coreanos erram esse ponto com frequência, escrever certo passa a impressão de que você aprendeu o idioma direitinho.
O tom é “educado, mas não engessado”. Pode ser usada sem soar rude com um vendedor que você acabou de conhecer, um taxista ou uma funcionária de salão de beleza. Já em uma situação mais formal, com papéis na mesa pedindo um orçamento, 얼마입니까? (eolmaimnikka?) combina melhor.
Veja em uma conversa real
Situação: sábado à tarde no Mercado Gwangjang. Ela saiu para comprar ingredientes para uma festa de inauguração de casa, mas nenhuma banca tem preço etiquetado.
Jun-kyung: 저기 딸기 좋아 보인다. 네가 물어봐, 나보다 네가 잘하잖아. Aquele morango ali parece bom. Pergunta você, você é melhor nisso do que eu.
Emily: (virando-se para a vendedora) 사장님, 이거 한 바구니에 얼마예요? (para a vendedora) Com licença, quanto custa uma cesta destes?
Jun-kyung: 야, 억양 진짜 자연스럽다. 나보다 낫네. Nossa, sua entonação é bem natural. Melhor que a minha.
Emily: 15년 살았는데 이 정도는 해야지. 근데 아까 네가 사 온 전은 얼마야? Já moro aqui há 15 anos, o mínimo é dar conta disso. Aliás, quanto custou aquele jeon que você comprou mais cedo?
Jun-kyung: 한 접시에 만 원. 좀 비싸지? Dez mil wones o prato. Meio caro, né?
Emily: 비싸긴. 여기선 그거 물어보는 순간 이미 사겠다는 뜻이야. Caro nada. Aqui, no momento em que você pergunta isso, já significa que vai comprar.
Praticando por situação
1. No táxi — para ter uma ideia do valor antes de partir
기사님, 여기서 명동까지 얼마예요? gisanim, yeogieseo Myeongdongkkaji eolmayeyo?
Colocando ‘~까지’ antes, a pergunta passa a ser sobre a tarifa do trajeto. É bastante usada mesmo em táxis com taxímetro, quando você só quer ter uma noção aproximada do valor.
2. No salão de beleza — para perguntar o preço de cada serviço separadamente
커트만 하면 얼마예요? 염색까지 하면요? keoteuman hamyeon eolmayeyo? yeomsaekkkaji hamyeonyo?
Como na segunda frase, encadear rapidamente com ‘~하면요?’ permite continuar a pergunta de forma natural, sem repetir tudo de novo.
3. No caixa — para conferir o valor total
다 해서 얼마예요? da haeseo eolmayeyo?
‘다 해서’ significa “somando tudo”. É a frase que se solta uma única vez, no final, depois de colocar vários itens no carrinho.
Formal, informal e expressões parecidas
- 얼마야? (eolmaya?) — informal (banmal). Para amigos ou pessoas mais novas. É a forma que Emily usa com Jun-kyung na conversa acima.
- 얼마죠? (eolmajyo?) — tem um tom de quem está confirmando algo que já sabia. Combina bem com lojas onde você já é freguês.
- 가격이 어떻게 되나요? (gagyeogi eotteoke doenayo?) — um degrau mais suave e educado. Soa especialmente natural ao perguntar o preço de um serviço, como em salões de beleza, clínicas ou oficinas de conserto.
- 얼마짜리예요? (eolmajjarieyo?) — mais do que o valor em si, pergunta “que tipo de produto é esse, pelo preço” — ou seja, de que faixa de preço ele é.
Vale acrescentar: às vezes você vai ouvir um atendente responder “삼만 원이세요” (são trinta mil wones). É uma forma que aplica honorífico ao próprio objeto, o que gramaticalmente não está correto, mas na prática é muito comum de se ouvir. Bom saber que é uma expressão “errada”, mas isso não deve atrapalhar o entendimento.
Contexto cultural — o simples fato de perguntar já é um sinal
Na Coreia, essa pergunta aparece em dois contextos bem diferentes. Em shoppings e redes, o preço é fixo, então depois de perguntar basta decidir se compra ou não. Já nos mercados tradicionais, o simples ato de perguntar o preço já dá início a uma pequena negociação. Complementar com 조금만 깎아 주세요 (jogeumman kkakka juseyo) (“dá um desconto, só um pouquinho”) também não soa rude, e é daí que vem a cultura do “덤” — aquele punhado a mais que o vendedor coloca de brinde em vez de baixar o preço.
Por isso a última fala do diálogo acima carrega um peso especial: perguntar o preço no mercado já significa, de certa forma, que você está metade decidido a comprar. Nos dramas coreanos também é comum ver uma cena em que o protagonista pergunta o preço no mercado e o vendedor discretamente acrescenta um “algo extra” de brinde — e o que essa cena mostra, no fundo, é a mesma temperatura: perguntar o preço já é, em si, uma forma de abrir uma relação.
Quiz de hoje
Numa banca de mercado, você pergunta a um vendedor que acabou de conhecer o preço de um saco de batatas. Qual é a forma mais natural?
- 감자 얼마야?
- 감자 얼마예요?
- 감자는 그것의 가격이 얼마입니까?
Resposta: opção 2. A opção 1 está em banmal (informal), o que é falta de educação com um vendedor que você acabou de conhecer. A opção 3 não está gramaticalmente errada, mas é rígida e estranha demais para usar num mercado. Só o curto 얼마예요?, uma única expressão, já tem exatamente a temperatura certa para o momento.
As explicações, exemplos e diálogos deste texto são todos criações autorais, escritas por nós.
Tradução própria: o dicionário oficial não oferece português, portanto as traduções para o português são nossas.